O Mago - Tarot

Como se lê a Cruz Simples do Lenormand

5 cartas · Lenormand

Cinco cartas do Lenormand em cruz, para o assunto que já tem nome e pede contexto. A carta do centro é o núcleo da questão. Na horizontal ficam o que está atrás e o que está à frente; na vertical, o que ajuda e o que desafia.

Parte um · a mesa

Os Caminhos
1 · O núcleo Os Caminhos
A Foice
2 · O que está atrás A Foice
As Estrelas
3 · O que está à frente As Estrelas
O Trevo
4 · O que ajuda O Trevo
A Montanha
5 · O que desafia A Montanha

As cartas acima são um exemplo, escolhido à mão para mostrar o método.

1
O núcleo
O coração da questão, às vezes por um lado que você não tinha considerado.
2
O que está atrás
O que ficou para trás e trouxe a questão até aqui.
3
O que está à frente
Para onde as coisas caminham a partir do momento atual.
4
O que ajuda
O que trabalha a seu favor: forças e recursos que dá para aproveitar.
5
O que desafia
O que cria resistência: obstáculos e o que ainda não se vê.

Parte dois · a leitura

A cruz se lê em duas linhas

Comece pelo núcleo

A carta do centro diz do que a questão trata. É por ela que a leitura começa, e é a ela que as outras quatro se referem.

Sozinha, ela é só uma palavra. No Lenormand o sentido nasce da combinação, e o núcleo ganha sentido conforme as cartas que encostam nele.

No exemplo, Os Caminhos no centro põem uma escolha no meio da questão: há mais de uma direção possível, e decidir faz parte do assunto.

A linha do tempo

Na horizontal ficam três cartas: o que está atrás, o núcleo e o que está à frente. Leia em pares vizinhos, da esquerda para a direita: a carta de trás com o núcleo, depois o núcleo com a da frente.

O núcleo entra nos dois pares, e é isso que costura a linha. A carta de trás diz de onde a questão vem; a da frente, para onde ela tende a ir.

No exemplo, A Foice com Os Caminhos pode indicar um corte recente que abriu a necessidade de escolher. Os Caminhos com As Estrelas sugerem que essa escolha aponta para uma direção mais clara, com alguma esperança de orientação.

O que ajuda e o que desafia

Na vertical ficam outras três: o que ajuda, acima, o núcleo e o que desafia, abaixo. Também se leem em pares: a carta de cima com o núcleo, depois o núcleo com a de baixo.

Aqui a casa diz o papel da carta. Uma carta de sentido difícil na casa do que ajuda continua sendo ajuda, e a pergunta passa a ser de que jeito ela ajuda. Uma carta leve na casa do que desafia continua sendo desafio, e vale procurar onde ela resiste. Essa é a forma de ler adotada por este site.

No exemplo, O Trevo com Os Caminhos pode falar de uma oportunidade pequena e passageira dentro da escolha. Os Caminhos com A Montanha apontam um bloqueio ou uma demora que pesa sobre a decisão.

O mesmo núcleo, lido duas vezes

A carta do centro aparece nas duas linhas, e com vizinhas diferentes ela diz coisas diferentes. Na linha do tempo, Os Caminhos são uma escolha que chegou e tem rumo; na vertical, são uma escolha que tem uma chance a favor e um obstáculo pela frente.

Depois das duas linhas, junte as duas no núcleo: o rumo que a carta da frente aponta é empurrado pelo que ajuda ou segurado pelo que desafia?

Se as duas linhas parecerem contar histórias diferentes, não descarte uma delas. A diferença costuma ser justamente o ponto da questão que merece atenção.

Outras versões da cruz

Em português, a versão mais repetida põe o núcleo da questão no centro, o que se pensa em cima, a raiz da situação embaixo e, nos dois lados, influências e obstáculos, sem dizer qual lado é qual.

Uma versão alemã, o Kreuz, põe nos lados o que molda a situação e o que leva adiante, em cima aquilo a que prestar atenção e embaixo aonde a questão leva. Outras trocam as casas por conselho, por algo oculto ou por influências externas.

Este site usa a versão com o tempo na horizontal e, na vertical, o que ajuda e o que desafia. Com o tempo nos lados, o núcleo fica entre o que veio antes e o que vem depois, como na linha de três do Lenormand. Se você aprendeu outra versão, as cartas continuam as mesmas; muda a pergunta que cada lugar faz.

De onde vem esta tiragem

A cruz de cinco cartas não aparece nas fontes antigas do Lenormand. O baralho deriva do Jogo da Esperança, um jogo de tabuleiro publicado em Nuremberg por volta de 1799, e a folha de instruções que o acompanhou a partir de 1846 traz os significados das cartas e uma única disposição, com as 36.

Nas referências de ensino de Petit Lenormand consultadas para esta página, as disposições são a carta única, as linhas de três e de cinco, o quadro de nove e a mesa de 36. A cruz não está entre elas.

A cruz de cinco cartas mais bem documentada na cartomancia é a do tarô, atribuída a Joséphin Péladan e registrada por Oswald Wirth em 1927. É provável que a forma tenha passado do tarô para o Lenormand, mas nenhuma fonte encontrada documenta essa passagem.

Ela circula em cursos e sites de baralho cigano e de Lenormand, como cruz simples em português e como Kreuz em alemão, sem autor nem data conhecidos, e cada versão dá às casas nomes um pouco diferentes.

O que ela tem de Lenormand é o centro. As cinco cartas da cruz são o meio do quadro de nove sem os cantos, e a leitura por pares vizinhos em volta de uma carta central é a base do baralho. Já o nome fixo de cada casa é um costume que veio do tarô: na tradição do Petit Lenormand as cartas se leem pela vizinhança, sem posições com sentido próprio.

Quando usar esta tiragem

Use a Cruz Simples quando a questão já tem nome e você quer contexto em volta dela: de onde veio, para onde vai, o que joga a favor e o que pesa contra.

Para uma primeira visão de um assunto ainda vago, três cartas costumam bastar. Para uma pergunta que cabe em sim ou não, a Sim ou Não é mais direta. Se o assunto já tem muitos lados ao mesmo tempo, o quadro da Nove Cartas mostra mais.

Como as cinco cartas giram em torno do núcleo, a leitura rende mais quando a pergunta tem um assunto só. Duas questões misturadas numa pergunta deixam o centro dividido.

Um assunto com nome, e cinco cartas em volta dele.

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