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Como se lê a Ferradura

7 cartas · Tarot e Baralho Comum

Uma leitura do assunto inteiro, de onde ele veio até onde vai dar. Além do passado, do presente e do desfecho, ela abre o que age escondido, onde você está nisso, o que chega das pessoas em volta e o que fazer a respeito.

Parte um · a mesa

Cinco de Copas
1 · Passado Cinco de Copas
Dois de Espadas
2 · Presente Dois de Espadas
A Lua
3 · O que está oculto A Lua
O Eremita
4 · Você nisso O Eremita
Quatro de Paus
5 · O que vem dos outros Quatro de Paus
O Carro
6 · O que fazer O Carro
A Estrela
7 · Desfecho provável A Estrela

As cartas acima são um exemplo, escolhido à mão para mostrar o método.

1
Passado
O que vem de antes e ainda pesa.
2
Presente
Onde a situação está agora, com o que estiver mais forte.
3
O que está oculto
O que ainda não foi dito, notado ou admitido.
4
Você nisso
O que você carrega e o que depende de você. É o fundo do arco.
5
O que vem dos outros
O ambiente, pelo que chega até você.
6
O que fazer
A atitude que muda o rumo.
7
Desfecho provável
Para onde isso caminha se seguir como está.

Parte dois · a leitura

As casas conversam entre si

O conselho se lê com o desfecho

A última casa fecha o caminho de quem seguiu a penúltima. Separadas, uma vira previsão e a outra vira sugestão, e as duas passam longe uma da outra. Juntas, são tudo o que a tiragem tem a dizer sobre o futuro, e o adjetivo em "desfecho provável" carrega essa ressalva.

A posição também foi pensada. O conselho chega depois de a leitura mostrar o que veio, o que está, o que se esconde, o que é seu e o que vem de fora. Antes disso seria palpite. Ali, é conclusão de cinco casas.

O oculto explica o presente

Quando o presente parece travado sem motivo aparente, a casa do oculto é o primeiro lugar onde procurar. Esse par é o que justifica a Ferradura diante de uma fileira de três: a fileira mostra que a questão não anda e não tem onde dizer por quê.

A casa do oculto não é necessariamente sobre segredo de outra pessoa. Ela pode apontar para algo que você já sabe e ainda não formulou, o que costuma render uma leitura menos dramática e mais aproveitável.

A casa do fundo vira a leitura

A quarta casa fica no ponto mais baixo do arco, e ali a leitura muda de direção: até então a tiragem descreve, e dali em diante ela aponta. O que ela lê é o que você trouxe até aqui, o que carrega e o que depende de você.

O nome vai contra o tradicional, e a razão está logo abaixo. Em resumo: como retrato de quem pergunta, essa casa repetiria o presente; como o lugar onde você está, ela carrega a parte acionável.

A casa dos outros lê o que chega

Na tradição ela se chama atitude das outras pessoas. Escrita assim, devolveria afirmação factual sobre um terceiro, e uma leitura não tem como sustentar isso. Aqui ela mostra como aquilo se apresenta a você.

Vale lê-la ao lado da casa do que fazer. Se as duas apontarem em direções diferentes, essa distância costuma ser o trecho mais aproveitável da leitura: o que o ambiente pede e o que a tiragem sugere não precisam coincidir.

Três tradições discordam sobre a casa do fundo

Circulam pelo menos três conjuntos de casas sobre esta mesma geometria, e o que muda entre eles é quem ocupa a chave do arco. Na linhagem antiga é quem consulta. Na variante moderna é o obstáculo. Numa terceira é o conselho.

A escolha parece pequena e reescreve a leitura inteira sem quebrar nada: as sete cartas continuam caindo em sete lugares válidos, e ninguém percebe que leu outra tiragem. Aqui vale a linhagem antiga, com a casa do fundo sendo quem consulta.

A redação teve de absorver uma consequência disso. Sem casa de obstáculo, sete casas descritivas entregariam sete retratos e nenhum diagnóstico. Daí a casa 4 se chamar "Você nisso" em vez de "O consulente".

De onde ela vem

Método antigo da cartomancia europeia. As fontes o situam nos séculos XVIII e XIX, sem autor identificado e sem obra fundadora, então aqui não há quem nomear. A Peladan e o Templo de Afrodite têm uma pessoa na origem; esta não tem, e inventar uma seria confortável e desonesto.

A tradição da ferradura vem da cartomancia antes de chegar ao tarot, e por isso ela sorteia o baralho inteiro em vez de filtrar arcano. Roda igualmente bem nos dois, o que a torna a única tiragem grande deste catálogo que a cartomancia alcança.

O nome é a figura: sete cartas em arco, como a curva de uma ferradura, com as pontas para cima e o fundo no meio. Na tela o arco abre quando há largura e dobra em U quando não há. A ordem de leitura acompanha a curva, desce por um braço, passa pelo fundo e sobe pelo outro.

Quando usar, e quando não

Use para assunto de peso, quando três cartas ficam curtas: uma situação com mais de uma parte envolvida, algo que se arrasta sem explicação, uma decisão em que o que está por baixo pesa tanto quanto o que está à vista. As sete casas servem a qualquer tema, inclusive aos que não envolvem outra pessoa.

Numa pergunta simples ela rende pouco. Sete cartas sobre uma questão pequena devolvem sete parágrafos parecidos, e a leitura fica mais longa sem ficar mais clara. Para comparar dois lados de uma relação, procure o Templo de Afrodite: a casa do que vem dos outros aqui está longe de dar um lado inteiro à outra pessoa.

Agora com a sua pergunta, e com as sete cartas que caírem.

Tirar a Ferradura

As outras tiragens