Para a pergunta que já cabe em sim ou não. Duas cartas do Lenormand lidas como um par: a primeira responde e a segunda diz do que a resposta depende. É a mais curta e a mais direta daqui.
Parte um · a mesa
1 · A respostaA Foice
2 · O que ela dependeO Trevo
As cartas acima são um exemplo, escolhido à mão para mostrar o método.
1
A resposta
A direção que as cartas apontam. É esta carta que responde.
2
O que ela depende
A condição da resposta: o que precisa estar de pé para ela valer.
Parte dois · a leitura
Duas cartas formam uma frase
A segunda carta é o teto da primeira
A casa da resposta dá a direção, e sozinha ela seria um veredito. A segunda carta é o que impede isso: ela diz sob que condição a resposta vale, o que a sustenta ou o que a segura. Um sim com a Montanha ao lado continua sendo um sim, com um obstáculo declarado no caminho.
É por isso que ela não se chama "o que pesa contra". Duas cartas postas em oposição declarada devolvem "depende" em toda leitura, que é a forma educada de não responder. Como condição, ela qualifica a resposta em vez de anulá-la.
Quando as duas se contradizem
Acontece, e é onde a tiragem rende mais. Uma carta leve na resposta e uma pesada na condição desenham um sim que custa caro; o contrário desenha um não que talvez não seja definitivo. A contradição entre as duas é informação, não defeito da tiragem.
O que ela não faz é virar um empate. O par se lê com a primeira como assunto e a segunda como aquilo que a qualifica, então a direção continua vindo da primeira. A segunda diz o preço dela.
A pergunta faz metade do trabalho
Uma pergunta fechada e concreta é o que esta tiragem pede: "aceito a vaga", "converso com ela essa semana", "insisto nisso". Uma pergunta larga como "vai dar tudo certo" não tem contorno, e a resposta sai igualmente larga.
Vale também formular a pergunta de modo que o sim seja o que você quer. As duas cartas respondem à pergunta como ela foi escrita, e "ele está sendo sincero comigo" e "ele está mentindo para mim" invertem o sentido da mesma resposta.
Não há carta de sim nem carta de não
Nenhuma das 36 é lida aqui como positiva ou negativa por si. A leitura não conta cartas boas contra cartas ruins nem devolve placar, e a razão está logo abaixo: as listas que fazem isso não concordam entre si.
O que decide é o que as duas formam juntas. A mesma carta responde sim a uma pergunta e não a outra, e a Foice é o exemplo mais claro disso: ela corta, e cortar é péssima notícia para quem pergunta se a relação continua e ótima para quem pergunta se consegue sair de um contrato.
As listas de sim e não não concordam
A forma mais comum de fazer sim ou não no Lenormand é classificar as 36 cartas em positivas, negativas e neutras e contar a maioria. O problema aparece ao comparar as listas: A Cruz é dada como sim em praticamente toda fonte em português e como uma das piores cartas em toda fonte em inglês. O Trevo e O Urso trocam de lado conforme a fonte.
A diferença não é de detalhe, é de proporção. As listas em inglês ficam perto de 12 cartas positivas, 9 negativas e 15 neutras; as listas em português marcam de 20 a 26 das 36 como sim. Pela lista em português mais repetida, uma carta sorteada responde sim em cerca de 72% das vezes: a lista escolhida decidiria a resposta mais do que o sorteio.
Por isso não existe tabela de valor por carta aqui. A resposta sai da combinação entre as duas cartas, que é o que este baralho de fato sabe fazer, e não de uma contagem.
De onde ela vem
Esta tiragem é uma construção deste site sobre a gramática do Lenormand, e não um método herdado. Vale dizer isso com todas as letras porque seria fácil não dizer: responder sim ou não não faz parte da tradição histórica deste baralho.
O baralho nasce em 1799, em Nuremberg, como Das Spiel der Hoffnung, um jogo de tabuleiro de Johann Kaspar Hechtel cuja folha de instruções já previa um uso oracular alternativo. O nome Lenormand só é colado depois da morte de Marie Anne Lenormand, nas edições que aparecem por volta de 1846. O método da tradição é a mesa grande, com as 36 cartas abertas, e as linhas curtas lidas como frase.
O sim ou não vem de outro lugar: da cartomancia de baralho comum, que conta cartas vermelhas contra pretas, e da popularização da pergunta fechada no tarot. O que é do Lenormand aqui é a leitura em par, e é ela que sustenta a tiragem: neste baralho uma carta é uma palavra, e o sentido nasce da vizinha. Duas cartas é a menor coisa que ele consegue dizer.
Quando usar, e quando não
Use quando a pergunta já está pronta e cabe em sim ou não. É a tiragem mais rápida daqui, e a única feita para decidir alguma coisa em vez de descrever uma situação.
Não use para explorar. Se a pergunta ainda está se formando, ou se o assunto tem mais de um lado, três cartas dão o espaço que duas não têm. E há pergunta que ela não responde em sim ou não por escolha, não por limitação: as que pedem prognóstico de saúde ou decisão de dinheiro saem do escopo desta tiragem, e os dois temas nem aparecem quando ela é escolhida.
A pergunta é sua. Faça uma que caiba em sim ou não.