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Como se leem nove cartas do Lenormand

9 cartas · Lenormand

Para o assunto que tem mais de um lado ao mesmo tempo: o que se pensa a respeito, o que de fato acontece e o que sustenta aquilo por baixo, com o tempo atravessando os três. Nove cartas do Lenormand em quadro de três por três, lidas em linhas e não casa por casa.

Parte um · a mesa

A Casa
1 · O que já se pensava A Casa
As Nuvens
2 · O que se pensa agora As Nuvens
O Navio
3 · O que se pretende O Navio
A Foice
4 · O que já aconteceu A Foice
Os Caminhos
5 · O coração da questão Os Caminhos
As Estrelas
6 · Para onde isso caminha As Estrelas
A Âncora
7 · A bagagem que vem junto A Âncora
A Montanha
8 · O que sustenta por baixo A Montanha
A Chave
9 · Sobre o que vai assentar A Chave

As cartas acima são um exemplo, escolhido à mão para mostrar o método.

1
O que já se pensava
O plano de onde tudo partiu, do jeito que ele foi imaginado.
2
O que se pensa agora
O que ocupa a cabeça hoje, antes de virar ação.
3
O que se pretende
Aonde se quer chegar: a aspiração, não a garantia.
4
O que já aconteceu
O que de fato se passou e trouxe a situação até aqui.
5
O coração da questão
O assunto de que a leitura trata. Quatro das oito linhas passam por aqui.
6
Para onde isso caminha
O rumo que a situação toma se nada for feito.
7
A bagagem que vem junto
O que se carrega sem ter escolhido: hábito, história, herança.
8
O que sustenta por baixo
O que segura a situação de pé agora, e nem sempre aparece.
9
Sobre o que vai assentar
A base em que isso vai se apoiar quando assentar.

Parte dois · a leitura

Nove cartas, oito linhas

O quadro se lê em linhas de três

Três fileiras, três colunas e as duas diagonais dão oito linhas de três cartas, e é assim que o quadro se lê. Nenhuma célula é lida sozinha: cada carta entra em duas, três ou quatro linhas diferentes, e o que ela significa muda conforme a linha em que você a está lendo naquele momento.

Uma linha de três se lê como a de três cartas: os pares vizinhos primeiro, a primeira com a segunda e a segunda com a terceira, e a carta do meio como o assunto da linha inteira, com as das pontas dizendo de onde ele vem e para onde vai. Quem já lê três cartas não precisa aprender um método novo aqui. Precisa repeti-lo oito vezes e reparar em como as leituras conversam.

É por isso que as referências chamam o quadro de degrau antes da mesa grande, aquela em que as 36 cartas são abertas de uma vez. Ele é o lugar onde se aprende a ler linhas, colunas e diagonais num tabuleiro pequeno o bastante para caber na cabeça.

A carta do centro é o coração da questão

A quinta carta é a única que toca todas as outras, e ela pertence a quatro das oito linhas: a fileira do meio, a coluna do meio e as duas diagonais. Nas quatro ela cai justamente na posição de assunto, que é a do meio. Não é que ela valha mais que as outras oito; é que quatro leituras diferentes passam por ela.

Por isso a leitura abre por ela. No exemplo acima, Os Caminhos no centro põem uma bifurcação no meio da questão: o assunto não é um fato, é uma escolha ainda aberta. Tudo o que as outras oito cartas dizem, dizem em volta disso.

Aqui o centro é o assunto da leitura, não uma carta que representa você. Parte das referências usa a casa central como significador de quem consulta, e essa leitura vem de uma prática diferente: a de escolher a carta do meio a dedo, pondo na mesa a que representa a pessoa, e sortear só as oito em volta. Nesta tiragem as nove são sorteadas, e uma carta que caiu no sorteio não representa você. Ela representa o assunto.

As fileiras e as colunas cortam o quadro de dois jeitos

As três fileiras são registros. A de cima é o pensamento, o que se planeja e o que se pretende. A do meio é a realidade, o que de fato está se passando. A de baixo é o que está por baixo: a bagagem, o que sustenta, aquilo que ninguém escolheu carregar.

As três colunas são o tempo, e é a parte do método em que as referências não divergem: a da esquerda é o que já foi, a do meio é o agora, a da direita é o que se aproxima. Futuro próximo, vale dizer, não um prognóstico de longo prazo.

Ler nos dois sentidos é o que o quadro dá e uma fileira sozinha não dá. No exemplo, a fileira de cima vai de A Casa a O Navio, com As Nuvens no meio: pensava-se em ficar, hoje a cabeça está turva, e o que se pretende é partir. A coluna da direita, lida de cima para baixo, junta O Navio, As Estrelas e A Chave, três cartas de abertura. Uma diz o que se quer, a outra diz o que já está desenhado, e elas podem discordar.

As diagonais, e o que fazer quando elas contradizem

As duas diagonais são as únicas linhas que atravessam o quadro inteiro passando pelo centro, e por isso costumam ser lidas como o rumo. A primeira vai da casa 1 à 9. No exemplo: A Casa, Os Caminhos e A Chave, o que se pode ler como uma questão doméstica que vira bifurcação e acaba destrancando alguma coisa.

A segunda vai da casa 7 à 3, de baixo à esquerda para cima à direita: A Âncora, Os Caminhos e O Navio. O apego atravessa a mesma escolha e ainda assim aponta partida. Repare que as duas passam pela mesma carta do meio e chegam a lugares diferentes.

Acontece de as leituras se contradizerem, e é onde o quadro rende mais. As fileiras podem desenhar um caminho e a diagonal apontar outro; a coluna do futuro pode não confirmar o que a fileira de cima pretende. Isso não é defeito da tiragem nem sinal de que a pergunta estava errada: são leituras diferentes das mesmas nove cartas, e a distância entre elas costuma ser a informação mais útil que sai daqui. A leitura diz isso com todas as letras em vez de escolher uma das duas.

Onde as referências não concordam

Centro, colunas, diagonais e cantos são consenso. As fileiras não. Circulam pelo menos quatro leituras delas, e a diferença não é de detalhe: numa, a fileira de baixo é o que está por baixo, o inconsciente e a bagagem; noutra, é justamente o contrário, o que se manifesta para fora; numa terceira, a fileira do meio é a resposta à pergunta, o que faz do quadro outra tiragem. As próprias fontes chamam essa camada de flexível.

Este site adota a primeira, que é a mais repetida e a que menos repete o que a coluna do presente já diz: pensamento em cima, realidade no meio, fundamento embaixo. Os nove nomes de casa saem dessa escolha, e é por isso que ela está escrita aqui em vez de ficar subentendida.

Há ainda duas camadas opcionais que esta tiragem não usa: o espelhamento, que combina as cartas simétricas em relação ao eixo do quadro, e o chamado "knighting", que combina cartas separadas por um movimento de cavalo do xadrez. As duas são descritas como extras mesmo nas fontes que as ensinam, e cada camada a mais é mais texto numa leitura que já é a mais longa daqui.

De onde ela vem

Esta é a tiragem mais documentada do Petit Lenormand depois da mesa grande, e ao contrário da de quatro cartas deste site ela não é construção nenhuma: as referências correntes descrevem tiragens de uma, três, cinco, sete e nove cartas, e o quadro de nove aparece com nome próprio em várias delas. Portrait, Box, 3x3 e Petit Tableau são nomes da mesma coisa.

A função também é declarada: o quadro é o degrau de preparação para o Grand Tableau. Nele se pratica ler linhas, colunas e diagonais antes de abrir as 36 cartas de uma vez, que é outro método inteiro e não está aqui.

O nome em português é o mais direto. "Retrato" traduz o "Portrait" das fontes em inglês, e não é assim que ninguém procura por ela: o material em português diz tiragem de nove cartas, ou 3x3. Aqui ela se chama Nove Cartas, ao lado da Três Cartas e da Quatro Cartas.

Quando usar, e quando não

Use quando o assunto é grande o bastante para ter mais de um lado: uma situação que envolve o que você pensa, o que está de fato acontecendo e o que você carrega de antes. É a maior tiragem daqui, e a única em que o tempo aparece como eixo próprio.

Não use para uma pergunta fechada, que duas cartas respondem melhor, nem para uma dúvida pequena, que três dão conta. Nove cartas sobre um assunto pequeno não o tornam maior: só dão mais superfície do que ele tem para preencher.

Uma pergunta com tamanho, e nove cartas para abrir o quadro.

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