Cinco cartas em cruz. Em vez de uma linha do tempo, ela abre a questão em forças: o que joga a favor, o que pesa contra, o que fazer diante disso e no que aquilo resulta, com uma quinta carta ao centro que costura as outras quatro.
Parte um · a mesa
1 · FavorávelO Sol
2 · DesfavorávelO Diabo
3 · AçãoO Carro
4 · ResultadoA Estrela
5 · SínteseO Eremita
As cartas acima são um exemplo, escolhido à mão para mostrar o método.
1
Favorável
A força que já joga a seu favor nesta questão.
2
Desfavorável
O atrito que a questão encontra pela frente.
3
Ação
O partido a tomar: a atitude que equilibra os dois lados.
4
Resultado
O que decorre de agir assim.
5
Síntese
Como você está diante da questão. Costura as outras quatro.
Parte dois · a leitura
A cruz se lê em pares
As duas primeiras se leem em par
Favorável e desfavorável descrevem duas forças em jogo, e a leitura ganha quando você as compara em vez de somar. Uma carta de peso no atrito, ao lado de uma discreta no que ajuda, sugere uma questão em que empurrar não basta. A relação invertida sugere o contrário.
Repare no tempo verbal da primeira casa. Ela nomeia o que já está em campo do seu lado, e não o que poderia ajudar se as coisas fossem outras.
Ação e resultado são a resposta
A terceira casa é a articulação do método, e vale ler com cuidado: ela pede uma atitude. Tomada como um caminho que se abre por conta própria, ela vira uma segunda foto do presente, e a cruz perde o que tem de próprio.
A quarta é a consequência dela, e só dela. Ler o resultado sem a ação devolve um desfecho sem escolha, que é a mesma vagueza de uma linha do tempo lida carta a carta. Juntas, as duas dizem: se você fizer isto, tende a dar nisto.
O lugar da carta faz parte do que ela diz
A cruz distribui as cinco casas por um motivo. As duas forças ficam nos braços, uma de cada lado, porque se opõem. A ação fica acima e o resultado abaixo, porque um decorre do outro. A síntese fica no cruzamento das duas linhas.
Lida como se fosse uma fileira, a tiragem devolve cinco leituras que poderiam ter saído de qualquer disposição. É por isso que a posição vale aqui: ela diz com quem cada carta conversa.
A síntese diz de onde você está olhando
A carta do centro costura as outras quatro em vez de acrescentar um quinto assunto. Leia-a como o ponto de vista de onde você olha a questão, e não como um fato novo sobre ela.
É também onde a cruz mais engana. Se a síntese contradiz as quatro em volta, a tentação é tomá-la por veredito e descartar o resto. Ela não decide nada. Nesse caso vale reler as quatro procurando o que a síntese estaria enxergando de outro ângulo.
De onde ela vem
A tiragem em cruz é atribuída a Joséphin Péladan (1858-1918), escritor e ocultista francês, transmitida ao seu discípulo Stanislas de Guaita e registrada depois por Oswald Wirth. Ter um nome na origem já distingue esta das muitas disposições que circulam sem autor conhecido.
A transmissão explica algo que o nome esconde: o texto que chegou até aqui é de Wirth, não de Péladan. Daí a grafia oscilar entre Peladan e Péladan conforme a fonte, e as descrições das casas variarem mais na palavra do que na função.
Ela embaralha apenas os 22 Arcanos Maiores, as cartas dos temas grandes. A restrição tem função: uma tiragem que lê forças trabalha melhor com o baralho que fala em forças. É também o motivo de ela não rodar no baralho comum, onde um filtro de Maiores não casaria carta nenhuma.
Quando usar, e quando não
Use em impasses, quando saber o que vai acontecer importa menos que saber o que empurra de cada lado. Serve também para quem já decidiu e quer entender o que sustenta ou atrapalha a escolha, porque o par de ação e resultado responde isso.
A cruz fala da sua posição na questão, inclusive na carta do centro, e não abre casa nenhuma para outra pessoa. Numa pergunta fechada ela também rende pouco: cinco cartas para responder sim ou não devolvem cinco respostas parecidas.
Vale saber de antemão que ela sorteia só os 22 Maiores, e isso se sente na leitura. Sem os Menores, a tiragem fala pouco do dia a dia da questão e muito do que está por trás dela. Para um assunto miúdo, uma carta ou três dão uma resposta mais rente ao chão.
Agora com a sua pergunta, e com as cinco cartas que caírem.