Numa leitura de tarot, alguém embaralha, tira algumas cartas e começa a falar sobre elas. Visto de fora, é difícil saber o que está acontecendo. Este texto conta o que é esse baralho e de onde ele veio, e depois acompanha uma leitura de três cartas do começo ao fim.
O que é o tarot
O tarot é um baralho de 78 cartas ilustradas, e cada carta tem um nome e uma imagem. Numa leitura, algumas cartas saem do baralho e cada uma vai para um lugar com uma função definida. Uma forma de chegar ao sentido é juntar o que a imagem mostra, o lugar em que a carta caiu e, quando há, a pergunta que foi feita.
As cartas se dividem em dois grupos. Os 22 Arcanos Maiores têm nomes próprios, como O Louco e A Estrela. Os 56 Arcanos Menores formam quatro naipes de 14 cartas, com os mesmos nomes dos naipes do baralho comum: Paus, Copas, Espadas e Ouros. Em cada naipe há dez cartas numeradas e quatro personagens da corte, o Pajem, o Cavaleiro, a Rainha e o Rei. Para uma primeira leitura, não é preciso decorar nada disso: dá para começar pela carta que saiu.
Os exemplos deste texto usam o Rider-Waite-Smith, ou só Rider-Waite, o baralho padrão das leituras daqui. Nele, cada carta traz uma cena desenhada, o que ajuda quem está começando: dá para contar o que acontece na imagem antes de saber o que ela significa.
De onde vem o tarot
As cartas de jogar já circulavam na Europa no século XIV, com registros seguros a partir da década de 1370. Na primeira metade do século seguinte, no norte da Itália, o baralho de quatro naipes ganhou uma série extra de cartas com figuras, os trunfos, e uma carta avulsa, o Louco. Os trunfos e o Louco são as cartas que hoje se chamam Arcanos Maiores. Era o começo do tarot, que os italianos chamavam de carte da trionfi. Ele aparece por escrito a partir da década de 1440, e alguns dos conjuntos mais antigos que chegaram até nós foram feitos para famílias nobres de Milão, em meados daquele século, pintados à mão.
Durante séculos, o tarot foi sobretudo um jogo de cartas, e ainda é jogado assim em países como a França e a Áustria. Nos séculos XVII e XVIII, oficinas francesas e suíças consolidaram o padrão que mais tarde ganharia o nome de Tarot de Marselha.
O uso das cartas para leitura ganha força na França, na década de 1780. Em 1781, Antoine Court de Gébelin escreveu que o tarot guardaria um livro do antigo Egito. Nenhum documento sustenta essa origem, mas a ideia foi adiante. Entre 1788 e 1789, Etteilla publicou um baralho concebido para a leitura. No século XIX, autores franceses como Éliphas Lévi e Papus escreveram sobre o tarot dentro do esoterismo, e o livro de Papus, Le Tarot des Bohémiens, é de 1889. Em 1909, a editora Rider lançou em Londres o baralho idealizado por Arthur Edward Waite e desenhado por Pamela Colman Smith: o Rider-Waite-Smith.
Também não há evidência histórica de que o tarot tenha nascido entre os povos romani, os que a Europa chamou de ciganos. O que no Brasil se chama de baralho cigano é outro baralho, o Lenormand, de 36 cartas.
Uma leitura, passo a passo
Quem conduz uma leitura pode ser um tarólogo, lendo para outra pessoa, ou a própria pessoa que pergunta. Os passos são os mesmos, e dá para acompanhá-los em cinco momentos: fazer a pergunta, escolher a tiragem, embaralhar e tirar as cartas, olhar cada uma e juntar todas. Para mostrar cada um, vamos seguir uma pessoa que está pensando em deixar o emprego.
1. A pergunta
Tudo começa pelo que se quer entender, e a forma da pergunta muda o que a leitura consegue dizer. Uma pergunta de sim ou não, como "devo sair do emprego?", pede um veredito, e aqui há uma leitura feita para isso, a Sim ou Não, com duas cartas do Lenormand. Uma pergunta aberta, como "o que preciso considerar sobre continuar no emprego em que estou?", abre a leitura para o que pesa na situação.
A pessoa do exemplo escolhe a segunda. Ela pode escrever a pergunta ou só pensar nela. Aqui também dá para abrir uma leitura geral, sem pergunta, ou escolher um tema da vida, como o trabalho.
2. A tiragem
A tiragem é o desenho da leitura: quantas cartas saem e o papel de cada lugar. Esses lugares se chamam casas. Numa tiragem de uma carta, há uma casa só, e a carta fala da pergunta inteira. Na de três cartas, a do exemplo, as casas são passado, presente e futuro, e o futuro aqui é tendência: o rumo da situação se ela seguir como está.
Existem tiragens maiores, com cinco, sete ou dez cartas, para perguntas com mais lados. Para começar, uma ou três cartas bastam.
3. Embaralhar e tirar as cartas
Com a pergunta em mente, quem faz a leitura embaralha, corta o monte se quiser e tira as cartas viradas para baixo, sem ver quais são. Cada carta tirada vai para uma casa, na ordem. Na leitura do exemplo, saíram o Oito de Ouros no passado, o Oito de Copas no presente e o Dois de Paus no futuro.
4. Olhar cada carta
Com cada carta, comece descrevendo quem está ali e o que faz, como se contasse a cena a alguém que não a vê. Só então ligue isso à casa em que ela caiu.
- Oito de Ouros, no passado. Um artesão trabalha com martelo e cinzel num disco marcado com uma estrela, e os que ele já terminou ficam à mostra ao lado. Na casa do passado, a cena pode falar de muitos anos na mesma bancada, fazendo bem o que se sabe fazer.
- Oito de Copas, no presente. Uma pessoa de capa vermelha se afasta a pé, de cajado, sob a lua, e as oito taças ficam para trás, empilhadas e inteiras. No presente, dá para ler isso como vontade de largar algo que não quebrou, só ficou pequeno.
- Dois de Paus, no futuro. Do alto de uma muralha, um homem segura um globo pequeno e um dos dois bastões da carta, os paus do naipe, e olha para longe. Na casa do futuro, a cena pode falar de um plano ainda em estudo: conferir o mapa antes de dar o passo.
Cada uma das 78 cartas do Rider-Waite tem página própria, com a cena descrita em detalhe.
5. Juntar as três
Depois de olhar cada carta, a leitura junta as três na ordem das casas, e a sequência pode ser lida como uma história: anos de trabalho feito com cuidado, a vontade atual de deixar algo que ainda está de pé e, à frente, um plano que ainda está sendo estudado. Para a pergunta "o que preciso considerar", uma leitura possível é pesar o ofício construído contra a vontade de ir embora, e planejar o próximo passo antes de sair, como alguém que ainda não desceu da muralha.
Outra pessoa, com outra história, poderia ler as mesmas cartas de outro jeito, porque é quem perguntou que reconhece o que cada imagem lembra da própria vida. A decisão continua com ela.
O tarot prevê o futuro?
Aqui, uma leitura não marca data nem garante que algo vai acontecer: a casa do futuro descreve um rumo, e não um dia no calendário. Ela também não afirma o que outra pessoa pensa ou sente. Uma pergunta sobre alguém é lida pelo lado de quem pergunta, pelo que essa pessoa vive na relação. O Templo de Afrodite tem casas para os dois lados de uma relação, mas o mesmo limite vale ali: o lado do outro aparece como uma imagem para pensar, e não como acesso ao que alguém de fato pensa ou sente.
Para fazer uma, não é preciso saber nada antes: a interpretação explica cada carta que sai. E nenhuma carta sai de cabeça para baixo, porque o site não usa as chamadas cartas invertidas, que outros métodos leem de outro jeito.
Como fazer a sua
Aqui, quem embaralha e tira as cartas é você, na tela. A pergunta vai escrita ou fica só na sua cabeça, e depois vêm o baralho, a tiragem, o embaralhar, o corte, que é opcional e só existe nas tiragens com o baralho inteiro, e a escolha das cartas. O texto da leitura sai naquele momento, escrito por um modelo de inteligência artificial com as cartas, as casas e, se você escreveu, a pergunta. A página Sobre conta o que é escrito à mão no site e o que a inteligência artificial escreve.
Se quiser começar por uma imagem só, a tiragem de uma carta olha a pergunta inteira por uma carta. Para ver as casas trabalhando juntas, como no exemplo, comece pela tiragem de três cartas.