O Mago
I · Arcano Maior · Tarot Rider-Waite-Smith
Diante do Mago há uma mesa com os quatro naipes do tarô, os elementos que ele tem à mão para trabalhar. Aponta uma das mãos para o alto e a outra para o chão, como quem traz de cima aquilo que pretende realizar embaixo.
A mensagem é direta: você já tem o talento, o foco e os recursos de que precisa; falta a vontade de colocá-los em uso. É o instante em que uma ideia sai do papel e começa a ganhar forma. O sinal de infinito sobre a cabeça dele lembra que essa capacidade de criar não se esgota.
A mesa, o gesto e o que está em cima
Sobre a mesa estão os quatro naipes dos Arcanos Menores deste baralho: um bastão, uma taça, uma espada e um disco. São as mesmas quatro famílias em que se dividem as 56 cartas menores, postas ali juntas, como ferramentas separadas por tipo antes de começar o trabalho.
O gesto é o que organiza a imagem. Uma das mãos ergue um bastão acima da cabeça, a outra aponta para o chão, e o corpo fica entre as duas. É uma figura de ligação, não de esforço: nada na cena está sendo carregado ou empurrado.
Acima da cabeça há o sinal de infinito, e na cintura uma serpente que morde a própria cauda. Os dois desenhos dizem a mesma coisa de formas diferentes, que aquilo não tem fim nem ponto de partida marcado.
Em volta crescem rosas e lírios, e a mesa está num jardim e não numa oficina. A carta não mostra a obra pronta em lugar nenhum. Mostra tudo o que seria preciso para fazê-la, e um instante antes de começar.
O que ela cobra
Uma forma de ler O Mago é como a carta que devolve a pergunta. Onde outras cartas falam do que acontece com você, esta fala do que depende de você, e a diferença aparece justamente nas perguntas em que se preferia que fosse o contrário.
Ela pode indicar que os meios já estão reunidos e que o que falta é decidir usá-los. Numa pergunta sobre um projeto parado, sobre uma conversa que não se tem ou sobre um talento que não se exercita, esse é o incômodo que a carta traz: a falta não está do lado de fora.
As quatro ferramentas na mesa também admitem outra leitura, a de que nenhuma delas sozinha resolve. O bastão sem a taça, ou a espada sem o disco, é uma parte do trabalho. A carta as põe juntas de propósito.
E há o que ela não promete. O Mago não diz que vai dar certo, diz que está ao alcance. A mesa é pequena e que tudo o que existe nela cabe numa mão de cada vez.
O primeiro número
O Mago é o I, o primeiro Arcano Maior numerado, e vem logo depois do Louco, que carrega o zero. Uma leitura frequente dessa vizinhança é a de que o passo dado sem saber ganha, aqui, uma ferramenta na mão. É uma forma de ler a sequência, não uma regra do baralho.
Vale reparar numa diferença concreta entre as duas cartas: o Louco carrega uma trouxa fechada e o Mago tem tudo aberto em cima da mesa. Mesmo conteúdo, arrumação diferente.
Nas duas tiragens deste site que embaralham só os 22 Maiores, a Peladan e o Templo de Afrodite, O Mago entra em qualquer das casas. Numa casa que pergunta o que fazer, a carta tende a ser lida como resposta direta; numa casa que descreve outra pessoa, ela descreve alguém com meios, e não necessariamente alguém que os use.
Nas tiragens que embaralham o baralho inteiro, ele divide o monte com as 56 cartas menores, o que inclui os quatro naipes que estão desenhados na sua mesa. Não há regra no produto ligando uma coisa à outra, mas é uma coincidência de imagem que costuma chamar a atenção de quem repara.
O que ele não garante
Uma leitura frequente transforma O Mago numa promessa de sucesso, e a carta não diz isso. Ela descreve meios reunidos e o instante anterior ao começo, o que é diferente de resultado. Numa pergunta sobre se algo vai dar certo, o que ela responde é que a possibilidade está montada, não como a história termina.
O outro deslize é lê-lo como talento de nascença. O que está sobre a mesa são ferramentas, não dons: quatro objetos que alguém colocou ali e que qualquer pessoa poderia pegar. Repare que a figura não está usando nenhum deles no instante desenhado.
Numa tiragem em que ele cai ao lado de uma carta de espera, como O Enforcado ou A Temperança, a combinação é frequentemente lida como capacidade sem hora certa. É forma de ler duas cartas juntas, e a tiragem em volta é que autoriza ou não a aproximação.
Onde esta carta pode cair
Todo Arcano Maior entra em qualquer tiragem deste baralho, inclusive nas duas que embaralham só os 22.
Os Arcanos Maiores costumam concentrar os temas mais amplos. Leve a sua pergunta para uma leitura.
Tirar com o tarot