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A Sacerdotisa

II · Arcano Maior · Tarot Rider-Waite-Smith

Sentada entre uma coluna clara e uma escura, a Sacerdotisa guarda um véu que esconde o que há por trás. Ela representa o que ainda não se revelou: a intuição e o saber que vem de dentro, difícil de explicar com palavras.

É uma carta de silêncio e paciência, de escutar antes de agir. Quando aparece, costuma pedir que você confie na própria percepção e deixe o mistério se abrir no tempo dele, em vez de forçar respostas.

Entre as duas colunas

A figura está sentada exatamente no meio, com uma coluna clara de um lado e uma escura do outro. Não se inclina para nenhuma das duas. Essa posição central é o primeiro dado da imagem: ela não está escolhendo entre os dois lados, está ocupando o vão entre eles.

Atrás dela, entre as colunas, há um véu com romãs desenhadas. O véu não é uma parede: dá para ver que existe alguma coisa atrás, e não dá para ver o quê. A carta poderia ter desenhado uma porta fechada e não desenhou.

No colo, meio escondido pela veste, ela segura um rolo de pergaminho. Só parte da escrita aparece. É outro objeto pela metade, como o véu, e a repetição não parece acidental.

Aos pés dela há uma lua crescente, e na cabeça um disco entre dois chifres. A luz da cena é fria e o cenário é interno. Nada aqui está em movimento, o que a separa das cartas que vêm antes e depois dela na sequência.

O que ela não diz

Uma forma de ler A Sacerdotisa é como a carta que informa que existe informação. Ela não entrega o conteúdo, aponta que há conteúdo, e a diferença entre as duas coisas é o desconforto que ela traz para uma pergunta apressada.

Numa pergunta sobre alguém, ela pode indicar que a pessoa sabe mais do que disse, ou que você sabe e ainda não formulou. Numa pergunta sobre uma decisão, pode indicar que ainda não é a hora de decidir, o que é diferente de dizer que a decisão está errada.

O silêncio dela também admite uma leitura menos confortável: nem tudo que está atrás do véu é grande. Às vezes o que não se olhou é pequeno e chato, e o véu está ali porque olhar dá trabalho.

E há o pergaminho pela metade. Ela não o esconde e não o lê em voz alta. Uma forma de ler esse gesto é que a resposta está disponível para quem se sentar do lado dela pelo tempo que for preciso.

A dupla que ela forma com a Imperatriz

A Sacerdotisa é o II e A Imperatriz é o III, e as duas cartas seguidas são frequentemente lidas em par, porque são as duas figuras femininas do começo da sequência. A comparação não é uma regra do baralho, mas é difícil de desfazer depois de vista.

O cenário de uma é interno, de pedra e sombra; o da outra é aberto, com trigo maduro e água corrente. Uma está imóvel e a outra está cercada de coisas que crescem. Uma guarda o que não se revelou e a outra faz nascer o que já se decidiu.

Nas tiragens de duas ou mais cartas, quando as duas caem juntas, uma leitura possível é a de dois tempos da mesma coisa: o que ainda está sendo gerado por dentro e o que já apareceu por fora. Nada no produto liga uma carta à outra, e essa aproximação é forma de ler.

No Templo de Afrodite, que só embaralha Maiores e distribui as cartas em dois lados de uma relação, as duas podem cair uma de cada lado. Aí a comparação deixa de ser sobre uma pessoa e passa a ser sobre dois jeitos de estar na mesma questão.

Silêncio não é a mesma coisa que esconder

Uma leitura comum trata A Sacerdotisa como carta de segredo, no sentido de alguém guardando informação de propósito. O desenho não sustenta apenas isso: o véu está no cenário e não nas mãos dela, e o pergaminho está à vista, só não aberto.

A diferença importa numa pergunta sobre outra pessoa. Ler segredo leva a procurar culpado; ler silêncio leva a procurar tempo. As duas leituras cabem na mesma imagem, e a tiragem em volta é que costuma dizer qual delas a pergunta estava pedindo.

Há ainda a leitura que a transforma em recomendação de não fazer nada. Repare que a figura está sentada e atenta, não ausente. Uma forma mais próxima do desenho é a de suspender a resposta sem suspender a atenção.

Onde esta carta pode cair

Todo Arcano Maior entra em qualquer tiragem deste baralho, inclusive nas duas que embaralham só os 22.

Os Arcanos Maiores costumam concentrar os temas mais amplos. Leve a sua pergunta para uma leitura.

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