A Imperatriz
III · Arcano Maior · Tarot Rider-Waite-Smith
A Imperatriz aparece cercada de trigo maduro, água corrente e vegetação farta, tudo o que cresce e dá fruto. É a figura que nutre e faz florescer, ligada à terra, ao corpo e aos afetos.
Fala de abundância, de projetos que ganham vida e do cuidado com aquilo que se ama. Também lembra o prazer das coisas sensíveis e a criatividade que nasce quando a gente se permite gerar algo novo.
Um trono ao ar livre
O primeiro dado da imagem é onde ela está sentada. O trono tem almofadas e está posto no meio do campo, e não dentro de um salão. A carta seguinte da sequência, O Imperador, faz o contrário: pedra, degraus e nada verde por perto.
À frente dela o trigo está maduro, alto o bastante para se colher. Atrás, uma linha de árvores escuras e um curso de água que desce. A cena é de um lugar cuidado e produtivo, no momento do ano em que se recebe o resultado.
A postura é relaxada. Ela se apoia de lado, com uma das mãos segurando um cetro curto e a outra descansando. Nada na cena está sendo vigiado. Essa é uma das poucas cartas dos Maiores em que a figura parece confortável.
Junto ao trono há um escudo em forma de coração com o símbolo de Vênus. Na cabeça, uma coroa de estrelas. O vestido tem romãs bordadas, as mesmas frutas que aparecem no véu da Sacerdotisa, a carta imediatamente anterior.
O que cresce sem pressa
Uma forma de ler A Imperatriz é pelo tempo que a cena implica. Trigo maduro não é um acontecimento, é o fim de uma estação. A carta fala de coisas que chegaram a esse ponto, e a pergunta que ela costuma devolver é há quanto tempo aquilo vem sendo cuidado.
Ela pode indicar um projeto que já dá retorno, uma casa que funciona, um corpo que está bem, uma relação em que se sente à vontade. Pode indicar também gravidez, e essa é uma leitura antiga da carta, mas repare que é uma entre várias e não a única.
Há uma leitura de excesso disponível na mesma imagem. Tudo ali é fartura, e fartura sem colheita apodrece. Numa pergunta sobre algo que não anda, a carta pode falar de conforto que virou parada.
E há o cuidado com quem cuida. A figura nutre a cena inteira e ninguém na carta nutre a figura. Uma forma de ler isso, numa pergunta sobre cansaço, é bastante direta.
A terceira carta, e a família que ela abre
A Imperatriz é o III. Depois dela vem O Imperador, o IV, e a leitura mais comum é a de um par: o que gera e o que ordena, o campo e o trono de pedra. É forma de ler a sequência, não regra do baralho.
Vale reparar que o par não precisa de duas pessoas. Numa mesma pergunta, as duas cartas podem descrever dois modos de conduzir a mesma coisa, e a tiragem é que diz se elas estão em acordo ou disputando.
Ela é uma das seis cartas que a página do baralho mostra na tira de arte, e é a face que aparece na seção da home. Isso não é significado, é escolha de desenho do site, mas explica por que ela é a carta que muita gente vê primeiro aqui.
No Templo de Afrodite, que embaralha só Maiores e separa a leitura em dois lados de uma relação, ela é frequentemente lida como o lado que cuida. A tiragem tem três planos, o que se pensa, o que se sente e o que se deseja, e que a Imperatriz muda bastante de sentido conforme o plano em que cai.
Abundância, e o que ela não resolve
A leitura mais direta da carta é a de fartura, e ela funciona. O que se perde é o trabalho que a cena implica: um campo de trigo maduro é o resultado de uma estação inteira de cuidado, e a carta mostra só o fim dela.
Numa pergunta sobre dinheiro, isso muda a resposta. A Imperatriz descreve melhor um retorno que veio do que foi plantado do que um ganho inesperado, que é assunto de outra carta desta mesma sequência.
E há a leitura automática de gravidez, que é antiga, legítima e não é a única. Repare que a carta fala de qualquer coisa que se gera e se cuida, e que ler sempre no sentido literal fecha a maior parte das perguntas em que ela cai.
Onde esta carta pode cair
Todo Arcano Maior entra em qualquer tiragem deste baralho, inclusive nas duas que embaralham só os 22.