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A Morte

XIII · Arcano Maior · Tarot Rider-Waite-Smith

Apesar do nome, a Morte raramente fala de morte literal. Ela marca um fim necessário: algo que se encerra para abrir espaço ao que vem depois.

O cavaleiro avança e ninguém o detém, mas ao fundo o sol nasce entre duas torres, sinal de renovação. Fala de transformação, de deixar para trás o que já cumpriu seu papel e aceitar a passagem para uma fase nova.

Quem está no caminho do cavaleiro

O cavaleiro vem armado, sobre um cavalo branco, com um estandarte preto de rosa branca. Avança da direita para a esquerda, e à frente dele há quatro figuras: um rei caído no chão, um bispo de pé com as mãos postas, uma mulher ajoelhada de rosto virado e uma criança que olha diretamente para o cavalo.

As quatro reagem de formas diferentes ao mesmo acontecimento, e essa é a parte mais escrita da imagem. Uma já caiu, uma negocia, uma não olha, uma encara. A carta não diz qual reação é a certa.

Ao fundo, entre duas torres, o sol está no horizonte. A imagem não informa se está nascendo ou se pondo, e as duas leituras cabem no mesmo desenho.

Entre o primeiro plano e as torres corre um rio com um barco. A carta é toda de travessia: um cavalo que passa, um rio que corre, um barco que se move e um sol na linha entre um dia e outro.

O fim, sem eufemismo e sem susto

Uma forma de ler A Morte é pelo que ela retira de discussão. Alguma coisa acabou. A carta não pergunta se você concorda e não oferece caminho de volta, e é essa ausência de negociação que o cavaleiro desenha.

Ela pode indicar o fim de uma relação, de um emprego, de uma fase, de um jeito de se ver. Pode indicar também um desapego que já aconteceu e que ainda não foi reconhecido, o que numa pergunta costuma ser a leitura mais útil.

Vale dizer o que a tradição de leitura já diz, e que o próprio texto do catálogo diz: raramente se lê esta carta como morte literal. Este site não afirma o que ela prevê, porque não é o tipo de coisa que uma carta decide.

E há a criança que encara o cavalo. Uma forma de ler esse detalhe é que a única figura que olha de frente é também a que tem menos a perder. Numa pergunta sobre um fim que assusta, o desenho oferece essa leitura sem obrigar a ela.

Treze, e a carta que ninguém quer tirar

A Morte é o XIII e é, junto com A Torre e O Diabo, uma das três cartas que assustam antes de serem lidas. Vale separar duas coisas: o susto é real e vem do nome e da imagem, e a leitura corrente da carta não corresponde a ele.

Na sequência, ela vem depois do Enforcado e antes da Temperança. Uma leitura possível dessa ordem é a de uma suspensão, um corte e um reajuste. É forma de ler a sequência, e o baralho não impõe nada disso.

Nas tiragens de linha do tempo, como as três cartas e a Ferradura, a casa em que ela cai muda bastante o peso: no passado descreve um encerramento que já ocorreu, no desfecho aponta um que ainda está por vir.

Nas duas tiragens que só embaralham Maiores, a Peladan e o Templo de Afrodite, ela concorre num monte de 22, e portanto aparece com mais frequência do que num baralho inteiro de 78. Isso é aritmética, e não uma tendência da tiragem.

O que a carta não prevê

Vale repetir o que o próprio catálogo diz, porque é a leitura mais procurada e a mais equivocada: esta carta raramente é lida como morte literal. Este site não afirma o que ela prevê, porque prever não é o que uma carta faz.

O deslize contrário também existe, o de suavizá-la até não sobrar nada. A cena tem um rei caído no chão, e um fim real está desenhado. Ler só transformação apaga a parte que dói.

Numa pergunta sobre uma relação, ela é frequentemente lida como término. Repare que também pode indicar o fim de um jeito de estar junto, e que a tiragem em volta costuma dizer qual das duas leituras a pergunta pedia.

Onde esta carta pode cair

Todo Arcano Maior entra em qualquer tiragem deste baralho, inclusive nas duas que embaralham só os 22.

Os Arcanos Maiores costumam concentrar os temas mais amplos. Leve a sua pergunta para uma leitura.

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