O Mago - Tarot Entrar

O Mundo

XXI · Arcano Maior · Tarot Rider-Waite-Smith

Uma figura dança dentro de uma grande coroa de louros, cercada pelos quatro símbolos que guardam os cantos da carta. É o fim da jornada iniciada pelo Louco: tudo se completa e se integra.

Fala de realização, de um ciclo que se fecha com sucesso e da sensação de plenitude por ter chegado ao fim de algo importante. Quando surge, celebra a conquista e, ao mesmo tempo, prepara o terreno para o próximo começo.

A coroa fechada, e os quatro cantos

No centro há uma figura em movimento, com uma faixa leve em volta do corpo e um bastão curto em cada mão. As pernas estão cruzadas, na mesma posição em que estão as do Enforcado, com a diferença de que aqui a figura está de pé.

Em volta dela, uma coroa de louros fechada em oval, amarrada em cima e embaixo. É a única carta do baralho em que a figura principal está dentro de uma moldura desenhada.

Nos quatro cantos estão as mesmas quatro figuras que aparecem em A Roda da Fortuna, o X: um anjo, uma águia, um touro e um leão. São as duas únicas cartas do baralho que as trazem, e uma está no meio da sequência e a outra no fim.

Repare que o fundo é vazio. Não há paisagem, cidade nem chão. A cena acontece em lugar nenhum, e é a única dos Maiores que dispensa cenário por completo.

Fechar, e o que fica depois

Uma forma de ler O Mundo é como a carta que confirma. Ela raramente introduz assunto novo numa tiragem: costuma dizer que o que estava em curso chegou onde ia chegar. Numa pergunta sobre algo em andamento, é uma resposta de conclusão.

Ela pode indicar uma formatura, uma entrega, uma viagem, uma mudança que se completa, uma relação que atinge o ponto que buscava. A palavra que o catálogo usa, plenitude, é bem escolhida: a carta descreve um estado e não um acontecimento.

A leitura que costuma escapar está na coroa fechada. Uma moldura oval em volta de alguém delimita tanto quanto celebra, e uma forma de ler isso numa pergunta é que o ciclo terminado também terminou de crescer.

E há a comparação inevitável com O Louco. Uma leitura muito citada é a de que o zero abre o que o XXI fecha, e que o fim volta a ser começo. É forma de ler a sequência inteira, não regra do baralho, e nada numa tiragem obriga a ler as duas cartas juntas.

A última das vinte e duas

O Mundo é o XXI, o último Arcano Maior deste baralho. Depois dele começam os 56 Arcanos Menores, divididos em quatro naipes, que este site ainda não publica em páginas próprias.

A figura central não tem gênero definido no desenho, e a tradição de leitura discute isso há muito tempo. Este site não toma partido: o que a carta mostra é alguém dançando dentro de uma coroa fechada, e o resto é forma de ler.

Nas duas tiragens que embaralham só Maiores, a Peladan e o Templo de Afrodite, ele entra num monte de 22 cartas. Numa casa de resultado, tende a ser lido como confirmação; numa casa que descreve uma pessoa, uma leitura possível é a de alguém que já concluiu aquilo por dentro.

Nas tiragens de baralho inteiro, ele concorre com as 78 cartas. Repare que, numa tiragem de sete cartas como a Ferradura, a chance de ele aparecer é pequena, e que isso não torna a leitura dele mais importante quando ele aparece.

Fim não é permanência

A leitura de realização é a natural e a mais fiel ao desenho. O que ela costuma acrescentar sem base é a ideia de estado definitivo, como se o que se completou fosse ficar assim.

Numa pergunta sobre uma fase, isso muda a resposta. A carta indica melhor que algo chegou ao fim do seu percurso do que que esse fim vai durar. A moldura em volta da figura fecha a cena, e não o tempo.

E há a leitura de que ele garante sucesso em qualquer casa em que caia. Numa casa de passado ele descreve um ciclo já encerrado, o que muda bastante o sentido de uma pergunta feita no presente.

Onde esta carta pode cair

Todo Arcano Maior entra em qualquer tiragem deste baralho, inclusive nas duas que embaralham só os 22.