O Hierofante
V · Arcano Maior · Tarot Rider-Waite-Smith
O Hierofante é a figura ligada à tradição e às instituições, aquele a quem se recorre em busca de orientação. Diante dele há dois discípulos, sinal de um conhecimento que passa de alguém para outro.
A carta fala de aprender pelos caminhos já estabelecidos, de valores compartilhados, fé e pertencimento a um grupo. Pode indicar casamento, votos ou o conselho de um mentor, mas também o peso de seguir aquilo que se espera de você.
Uma cena com três pessoas
Esta é uma das poucas cartas dos Arcanos Maiores em que há mais de uma pessoa desenhada. A figura central está sentada entre duas colunas de pedra, e diante dela, de costas para quem olha, estão dois discípulos com as cabeças baixas.
A posição de quem olha é a de quem chegou depois. Os dois discípulos ocupam a frente da cena e a figura central está acima e ao fundo. A carta coloca você atrás de outras pessoas que já estão ali, o que é diferente de quase todas as outras.
Ele usa uma coroa de três níveis e ergue a mão em gesto de bênção. Na outra mão segura um báculo, também de três travessões. No chão, entre ele e os discípulos, há duas chaves cruzadas.
O cenário é inteiramente de pedra, sem paisagem nenhuma ao fundo. É um lugar construído para durar e para receber gente, e a carta o mostra em funcionamento, não vazio.
O que já foi respondido antes
Uma forma de ler O Hierofante é como a carta do caminho que já existe. Alguém antes de você teve a mesma questão, e há uma resposta pronta, testada, disponível. A carta oferece isso, e o valor da oferta depende de a resposta pronta servir.
Ela pode indicar uma pessoa que orienta, um curso, uma terapia, uma igreja, uma empresa com jeito próprio de fazer as coisas. Pode indicar um casamento no sentido formal, com a parte da cerimônia e do que os outros esperam.
A leitura incômoda está nos dois discípulos de costas. Pertencer custa alguma coisa, e a carta não esconde qual: as duas figuras estão em posição de receber, não de discordar. Numa pergunta sobre uma escolha que a família ou o grupo já tem opinião formada, esse é o ângulo que a imagem dá.
Repare também nas chaves no chão. Elas estão desenhadas fora da mão de todos, entre o mestre e os alunos. Uma forma de ler isso é que o que abre a porta está à vista e ainda não foi entregue a ninguém.
O par com A Sacerdotisa
As duas cartas partilham a mesma armação de imagem: uma figura sentada entre duas colunas. É a repetição mais explícita entre dois Arcanos Maiores deste baralho, e vê-la é quase inevitável depois de apontada.
A diferença está no que cada uma faz com o que sabe. A Sacerdotisa está sozinha, com o pergaminho meio escondido no colo, e não explica. O Hierofante tem público, ergue a mão e ensina. Uma guarda, o outro transmite.
Numa tiragem em que as duas caem juntas, uma leitura possível é a de duas fontes concorrendo: o que você sente por dentro e o que o grupo diz que é assim. A carta não decide qual das duas está certa, e nenhuma regra do produto decide também.
Nas tiragens que só embaralham Maiores, a Peladan e o Templo de Afrodite, essa dupla aparece com alguma frequência, simplesmente porque o monte é pequeno e são 22 cartas. Isso é aritmética do baralho, não sinal de nada.
O conselho que já vem com resposta
Uma leitura possível e frequente é a de bênção, de aprovação vinda de alguém com autoridade. Ela cabe, e deixa de fora a parte mais interessante do desenho: os dois discípulos estão de cabeça baixa, e ninguém na cena está perguntando nada.
Numa questão em que se procura orientação, isso muda o que a carta responde. Ela indica que existe uma resposta pronta e disponível, e não que a resposta pronta seja a certa para o seu caso.
Há também a leitura de casamento, que vem da tradição e continua válida. Repare que o que a carta desenha é a parte formal, o rito e o que se espera, e que a parte do afeto tem outra carta neste mesmo baralho.
Onde esta carta pode cair
Todo Arcano Maior entra em qualquer tiragem deste baralho, inclusive nas duas que embaralham só os 22.