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A Imperatriz

III · Arcano Maior · Tarot de Marselha

Coroada e de frente, a Imperatriz segura o cetro e o escudo da águia.

Ela é a inteligência que compreende e dá forma às ideias antes que elas sejam ditas. Favorece o estudo, a observação e o saber acumulado. No trato, é graça, cortesia, generosidade e uma autoridade exercida pela gentileza, e não pela força. No plano concreto, fala de fartura e de projetos que crescem. No lado ruim, o brilho vira fachada: vaidade, luxo, desperdício, pose e conhecimento raso exibido como se fosse profundo.

Olhando de frente para quem olha a carta

Na edição de Claude Burdel, de 1751, a carta traz escrito L’IMPERATRISE. A figura está sentada e voltada inteiramente para a frente, com a coroa sobre o cabelo claro, um vestido vermelho e uma saia azul que ocupa a metade de baixo da carta. Num braço apoia o cetro, rematado por um globo com uma cruz; no outro lado está o escudo com uma águia verde. Atrás dos ombros aparecem duas formas azuis, como asas; no desenho que Oswald Wirth comenta, a Imperatriz é alada.

Wirth, em Le Tarot des imagiers du Moyen Âge, de 1927, dá importância à pose. A Imperatriz se mostra exatamente de frente, e o Imperador, na carta seguinte, aparece de perfil. Para ele, a frontalidade é a forma de desenhar o que não se altera: as ideias antes de virarem coisas.

No desenho que Wirth comenta há mais elementos do que no Burdel, como doze estrelas em volta da cabeça e um crescente sob o pé. No Burdel eles não estão. A leitura dele continua valendo para a carta, mas a imagem que o site mostra é mais simples: uma soberana sentada, com o sinal do poder numa mão e o brasão na outra.

Entre a Papisa e o Imperador

A águia aparece duas vezes seguidas no baralho de Burdel: no escudo que a Imperatriz segura e no escudo encostado aos pés do Imperador. As duas cartas formam um par, e o bicho repetido deixa isso visível.

Wirth lê o par pela diferença entre as duas. No desenho dele, a águia dela é de prata e a dele é negra: a dela seria a alma elevada, a dele a mesma força presa à matéria, que precisa ser trabalhada. É uma leitura que ajuda a entender a sequência. A Imperatriz concebe; o Imperador realiza.

Wirth também explica o lugar dela na conta dos primeiros arcanos. Com o I, tudo ainda está junto, sem distinção; com o II, a Papisa, já há dois lados, mas o que acontece entre eles continua invisível. Só no III, diz ele, a ideia se reflete no espírito e fica perceptível. A Imperatriz é o momento em que algo que estava escondido passa a ser entendido.

Uma forma de levar isso para uma leitura é perguntar em que fase está a coisa. Com a Imperatriz, a ideia costuma já estar clara para quem pergunta, mas ainda não ganhou a estrutura que o IV traz.

Gentileza que conduz, fartura que cresce

Na lista de sentidos que Wirth dá à carta estão o discernimento, a reflexão, o estudo e a observação, e também a afabilidade, o encanto e o que ele chama de império exercido pela doçura. É uma autoridade que não precisa levantar a voz.

Numa pergunta sobre trabalho, estudo ou um projeto que começa, a carta pode indicar compreensão do assunto e capacidade de fazer os outros entenderem também. Numa pergunta sobre uma relação, tende a descrever cuidado, cortesia e generosidade no trato, sem dizer nada sobre o que a outra pessoa sente.

A fartura que ela carrega, na lista de Wirth, vem junto da fecundidade: é o que cresce quando é bem cuidado. Uma leitura prudente trata essa fartura como crescimento de algo que já existe, e não como promessa de dinheiro caindo do céu.

Quando o encanto vira pose

O lado ruim, para Wirth, está no mesmo lugar do bom: aparato, vaidade, frivolidade, luxo, desperdício, pose e exibição de noções superficiais. A graça que convence pode virar só aparência de graça.

A carta sozinha não separa uma coisa da outra. O que costuma separar, numa leitura, é o que existe por trás do brilho: se há estudo, cuidado e trabalho sustentando a imagem, ou se a imagem é tudo o que há.

A única soma que chega ao III

Na Peladan de Marselha, em que a Síntese sai da soma das quatro cartas escolhidas, só uma soma leva à Imperatriz, a que dá 30, porque 3 + 0 = 3. Com qualquer outro total, a conta cai em outra carta.

A casa da Síntese pergunta como você está diante da questão. Quando a Imperatriz cai ali, uma leitura frequente é a de quem já entendeu o que está em jogo, mesmo antes de conseguir dizer, e a pergunta que fica é o que essa compreensão vai construir.

Onde esta carta pode cair

Todo Arcano Maior entra em qualquer tiragem deste baralho, inclusive na que embaralha só os 22.

Os Arcanos Maiores costumam concentrar os temas mais amplos. Leve a sua pergunta para uma leitura.

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